O envelhecimento populacional é um fenómeno prestes a tornar-se numa das transformações sociais mais significativas do século XXI. Colocará, à sociedade e aos órgãos de gestão pública, enormes desafios de cariz económico e também social, uma vez que terá, e já tem, por exemplo, implicações ao nível do mercado laboral, da procura de bens e serviços relacionados com a habitação, a saúde, a proteção social, entre outros.
Em todo o mundo, a população com 60 anos, ou mais, está a crescer mais rapidamente do que todos os grupos etários mais jovens. A população com idade superior a 60 anos está a crescer a uma taxa de cerca de 3% ao ano. As projeções do INE para os próximos 50 anos indicam que Portugal vai perder população. Acredita-se que os países com maiores taxas de emigração e menores taxas de natalidade serão os mais afetados, como é o caso de Portugal. O número de jovens diminuirá e o de idosos, por contraste, aumentará. O índice de envelhecimento em Portugal quase duplicará, passando de 159 para 300 idosos por cada 100 jovens (em 1961 havia 27 idosos por cada 100 jovens). O índice de envelhecimento é o número de pessoas com 65 e mais anos por cada 100 pessoas menores de 15 anos. Um valor inferior a 100 significa que há menos idosos do que jovens.
Vejamos a evolução deste indicador no concelho de Celorico de Basto. Em 2001, por cada 100 jovens, havia cerca de 93 idosos. Dez anos mais tarde, havia cerca de 125 e, em 2019, cerca de 180. Para se ter uma noção real destes valores, suponhamos que há 2000 jovens no concelho. Num espaço de 18 anos, evoluímos de 1850 idosos por 2000 jovens; em 2001, para 3596 idosos por 2000 jovens; em 2019, ou seja, enquanto o número de jovens se manteve igual, o de idosos cresceu, aumentou para 1746.
No contexto português, são os concelhos do interior que mostram mais dependência de idosos e onde estes assumem uma maior percentagem sobre a população residente, expondo o fenómeno da desertificação humana do país. Em 2019, no concelho de Celorico, 20,6% da população tinha 65 anos ou mais. Estes números vêm provar a necessidade urgente de um Executivo capaz de pôr em práticas boas políticas de promoção à fixação dos jovens e ao combate à solidão e à pobreza na terceira idade, para que os nossos idosos possam viver a reforma com dignidade.
Acreditamos numa mudança para melhor.